A indústria entrou em campo na corrida presidencial. A CNI apresentou propostas que ampliam concessões privadas e questionam o piso mínimo do frete, criado após a greve dos caminhoneiros.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou, em 23/06/2026, aos pré-candidatos à Presidência da República um documento que reúne propostas de infraestrutura voltadas a transporte e logística. O texto defende maior participação da iniciativa privada em rodovias, ferrovias, portos, hidrovias e aeroportos, além da revisão de regras consideradas onerosas, como o tabelamento do frete rodoviário.
No setor rodoviário, a entidade mantém posição crítica à política de pisos mínimos criada após a paralisação dos caminhoneiros em 2018. A Medida Provisória 1343, em análise no Congresso, prevê sanções a empresas que não cumprirem o valor estabelecido. A CNI sugere que o piso tenha caráter apenas referencial, permitindo a livre negociação entre embarcadores e transportadores.
“O tabelamento do frete eleva custos logísticos e reduz a competitividade da economia brasileira”, afirma o estudo.
Para trechos com menor movimentação de veículos, o documento recomenda ampliar concessões simplificadas voltadas exclusivamente à manutenção, modelo que o Ministério dos Transportes pretende adotar em mais de 8 mil quilômetros de rodovias federais.
Preços vistos na Amazon em 10/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Nos portos, a principal preocupação apontada é a falta de novos terminais de contêineres. Esse tipo de carga registrou expansão de 20% em 2024, mas o último leilão de terminais ocorreu há mais de dez anos. A confederação propõe a privatização das companhias docas, citando limitações de gestão e passivos trabalhistas que dificultariam investimentos. Também defende ampliar o número de portos secos por meio de regime de autorização para acelerar projetos hoje submetidos a licitações conduzidas pela Receita Federal.
Em relação às hidrovias, a CNI pede celeridade nos leilões de seis rotas consideradas prioritárias pela política pública federal. Apesar de o país dispor de aproximadamente 40 mil quilômetros navegáveis, apenas metade é explorada comercialmente. Questões ambientais e políticas, segundo o documento, atrasam as concessões dos rios Madeira, Paraguai e Tapajós.
No modal ferroviário, a entidade pleiteia agilidade na devolução de trechos inoperantes. Estudos do Ministério dos Transportes, elaborados em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), indicam que cerca de um terço da malha nacional não está em uso. A expectativa é que a análise de precificação e indenização aos atuais concessionários permita ofertar essas áreas em novos contratos.
Para o setor aeroportuário, a proposta é instituir um regime de autorização que permita a construção e operação de novos aeroportos comerciais sem passar por leilões tradicionais. A CNI avalia que a medida poderia ampliar investimentos privados, aliviar terminais saturados e elevar a conectividade regional.
As sugestões também incluem a revisão do decreto que regulamentou o programa BR do Mar. A confederação sustenta que exigências adicionais teriam desencorajado a entrada de novas embarcações na navegação de cabotagem, reduzindo a concorrência no transporte entre portos nacionais.
As propostas agora aguardam posicionamento dos pré-candidatos, que poderão incorporá-las aos seus programas de governo. A CNI sustenta que a adoção das medidas seria essencial para reduzir custos logísticos, atrair capital privado e aumentar a competitividade do setor produtivo brasileiro.
Siga a República da Verdade e entre no nosso grupo exclusivo de discussão política.









