Regulador chinês aprovou a listagem da gigante de moda rápida na bolsa de Hong Kong. A Shein planeja emitir 341,6 milhões de ações após ver planos nos EUA naufragarem em 2023.
A varejista de moda rápida Shein deu um passo decisivo rumo à abertura de capital depois que a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC) aprovou, em 10 de julho, o pedido de listagem em Hong Kong apresentado pela Shein Global Holdings por meio de sua entidade operacional sediada no país.
Com o sinal verde do órgão regulador, a companhia planeja emitir até 341,6 milhões de ações ordinárias e estrear na Bolsa de Valores de Hong Kong. Trata-se do primeiro avanço concreto em direção a uma oferta pública inicial (IPO) desde que projetos de listagem nos Estados Unidos, em 2023, e em Londres, em 2025, foram suspensos.
A decisão ocorre no momento em que Pequim procura reforçar o setor varejista. Um dia antes da aprovação, o Ministério do Comércio e outras oito agências publicaram diretrizes que pedem a modernização do sistema de varejo até 2030 e estimulam empresas qualificadas a captar recursos no mercado de capitais.
Fundada em 2009 por Chris Xu Yangtian, a Shein entrou nos Estados Unidos em 2012 com roupas femininas de baixo custo e expandiu-se para mais de 160 países combinando design orientado por dados e uma cadeia produtiva flexível. O modelo de “pequenos lotes e reposição rápida” permite testar peças em tiragens reduzidas e ampliar a produção conforme as vendas em tempo real.
Preços vistos na Amazon em 19/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Segundo a consultoria GlobalData, em 2024 a empresa superou Zara, H&M e Uniqlo, tornando-se a terceira maior varejista de moda do mundo em vendas, atrás apenas de Nike e Adidas. Em 2025, o volume bruto de mercadorias somou US$ 67,5 bilhões, alta de 22,7% em relação ao ano anterior; o número de usuários ativos mensais atingiu 98 milhões, avanço de 11%.
Apesar do crescimento, a avaliação de mercado encolheu. Após captar recursos em 2022 avaliada em mais de US$ 100 bilhões, a Shein foi precificada em cerca de US$ 64 bilhões no início de 2023, refletindo maior concorrência e menor ritmo de expansão do e-commerce.
“A avaliação mais baixa pode ter sido autoimposta, pois a Shein tentou alinhar-se aos preços das rivais já listadas”, disse uma fonte próxima às negociações mencionada no documento regulatório.
A entrada da Temu, plataforma da PDD Holdings lançada em 2022, pressionou a Shein a diversificar o catálogo e adotar um marketplace de terceiros a partir de 2023. Paralelamente, a empresa enfrenta maior escrutínio regulatório. Nos Estados Unidos, críticas recaem sobre isenções tarifárias, proteção de dados e falsificações. Em 2025, Washington restringiu o regime “de minimis”, elevando custos para vendedores estrangeiros.
Na Europa, a pressão também cresceu. Autoridades francesas multaram a Shein em 40 milhões de euros em julho de 2025 por alegações de descontos enganosos e marketing ambiental não comprovado. Outra penalidade de 22,5 milhões de euros foi aplicada em junho de 2026 por falhas em informações ao consumidor.
Com a aprovação chinesa, analistas avaliam que o IPO em Hong Kong poderá reforçar o caixa da companhia e permitir investimentos em logística, tecnologia e sustentabilidade. A data exata da oferta, entretanto, ainda depende da definição do prospecto final e das condições de mercado.
Siga a República da Verdade e entre no nosso grupo exclusivo de discussão política.









