Pequim surpreende o mercado com exportações 27% acima do esperado em junho, puxadas por chips e IA. O resultado reacende o alerta sobre a crescente dominância chinesa no comércio mundial.
As exportações da China registraram um salto de 27% em junho, em comparação com o mesmo mês de 2025, alcançando o melhor resultado dos últimos quatro meses e superando a previsão consensual de mercado, que apontava avanço de 18,2%. O desempenho positivo foi impulsionado pela forte demanda global por semicondutores e equipamentos destinados a datacenters, alimentados pelo rápido crescimento de aplicações de inteligência artificial (IA).
Os dados oficiais de alfândega, divulgados nesta terça-feira (14), também mostraram que as importações aumentaram 36% na mesma base de comparação, a maior expansão em cinco anos e bem acima da expectativa de 24%. O superávit comercial do país chegou a US$ 125,6 bilhões, frente aos US$ 105,4 bilhões registrados em maio.
Análises de mercado apontam que o apetite por produtos tecnológicos ligados à IA, a antecipação de embarques para os Estados Unidos e a política de preços agressiva dos exportadores chineses explicam grande parte do avanço nas vendas externas, mesmo em um cenário de crescimento mais fraco nas principais economias e incertezas sobre as relações comerciais com Washington.
“A continuidade da força das exportações, impulsionada principalmente pela IA, aponta para um segundo semestre melhor, aliado a políticas mais expansionistas, gastos fiscais acelerados e um leve afrouxamento monetário, bem como uma desescalada da situação no Oriente Médio, o que beneficiará a China por meio da queda dos preços do petróleo”, avaliou Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit em Pequim.
Achados com desconto PublicidadePreços vistos na Amazon em 16/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Apesar do fôlego externo, a demanda interna permanece frágil. As vendas no varejo ficaram praticamente estáveis e o investimento em ativos fixos apresentou resultado negativo em junho, segundo estatísticas oficiais. Para analistas, essa combinação aumenta a dependência da segunda maior economia do mundo do setor externo, tornando-a vulnerável a eventuais mudanças no ambiente internacional.
Dados de produção industrial divulgados no fim do mês passado já indicavam recuperação gradual da carteira de pedidos externa, mas evidenciaram queda nos preços à porta da fábrica, reflexo de descontos concedidos por empresas que tentam compensar custos mais altos de energia decorrentes do conflito no Oriente Médio.
A demanda por infraestrutura de computação em nuvem segue firme: as compras chinesas de chips sul-coreanos avançaram 85% em junho, enquanto as importações de semicondutores de Taiwan cresceram 41,1%, reforçando o papel do setor de tecnologia como motor do comércio.
Nos Estados Unidos, grandes redes de varejo anteciparam pedidos em quatro a seis semanas para garantir estoques destinados à Black Friday e às vendas de Natal, antes de tarifas adicionais esperadas para ainda este ano. A visita do presidente Donald Trump a Pequim, em maio, não resultou no progresso que o mercado esperava, mantendo elevada a incerteza sobre novas barreiras.
Economistas alertam que, caso o ritmo de expansão global perca força, Pequim poderá intensificar estímulos para sustentar a atividade doméstica. O governo divulgará amanhã (15) o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, indicador que servirá de termômetro para eventuais ajustes de política econômica.
Siga a República da Verdade e entre no nosso grupo exclusivo de discussão política.









