China despenca 41% nas importações de petróleo e atinge menor nível em quase 10 anos

Robson Alves
4 Min Leitura

A China importou menos petróleo em junho de 2026 do que em qualquer mês desde 2016. A queda de 41,3% na comparação anual acende alertas sobre o futuro da demanda global pela commodity.

As importações de petróleo bruto da China despencaram 41,3% em junho de 2026, na comparação anual, totalizando 29,3 milhões de toneladas e registrando o menor patamar mensal desde outubro de 2016. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 14 de julho, pela Administração Geral de Alfândegas do país.

Em termos diários, o fluxo de compras externas caiu o equivalente a 4,9 milhões de barris, aprofundando a retração de 29% observada em maio. O movimento confirma uma mudança de ritmo no maior importador global de petróleo, pressionado por preços mais altos, avanço dos veículos elétricos e crescimento da produção química doméstica.

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Os custos de importação subiram de forma acelerada após a eclosão do conflito no Oriente Médio, que manteve o Estreito de Ormuz praticamente fechado no primeiro semestre. O barril adquirido pela China custou, em média, US$ 111,1 em maio e US$ 105,4 em junho, variações de 60% e 55%, respectivamente, ante os mesmos meses de 2025.

“A demanda global por petróleo recuou 5 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2026”, disse Daan Struyven, co-chefe de pesquisa global de commodities do Goldman Sachs. “Cerca de 90% dessa perda tende a ser temporária.”

O analista coloca em dúvida se a retração chinesa sinaliza apenas uma reação conjuntural aos preços ou se marca uma virada estrutural no consumo de petróleo.

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No mercado interno, a rápida popularização dos veículos elétricos reduziu o uso de combustíveis fósseis. Segundo Liao Na, diretora-geral da consultoria GL Consulting, a demanda por gasolina e diesel no país encolheu entre 10% e 13% desde abril, na comparação anual.

“Os preços elevados também levam proprietários de veículos híbridos a optar pela eletricidade em vez da gasolina”, observou Wang Haibin, economista sênior da Sinochem Energy.

Com o consumo em queda, os estoques domésticos de gasolina e diesel alcançaram o maior nível desde 2024, enquanto as reservas de petróleo bruto recuaram ao menor ponto em três anos. As refinarias, pressionadas por margens negativas, reduziram suas taxas de operação.

O cenário abre espaço para a indústria química movida a carvão, que se beneficia do encarecimento das matérias-primas importadas. Dados da consultoria Mysteel indicam que, em 3 de julho, as fábricas chinesas operavam com utilização de 103,8% na produção de metanol e 102,1% na de ureia.

Analistas acompanham de perto os próximos movimentos da política energética chinesa. Caso os preços internacionais cedam, parte da demanda de importação pode retornar, mas a transição para fontes mais limpas e a expansão das plantas petroquímicas internas tendem a limitar o ritmo de recuperação.

Apesar do recuo momentâneo, a China segue como ator central no mercado mundial de petróleo, e qualquer variação em seu apetite por barris influencia diretamente cotações, investimentos e estratégias de produtores de todas as regiões.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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