China avança sobre minério brasileiro com acordo exclusivo na CSN

Rafael Ramos
3 Min Leitura

Pequim quer controlar a distribuição do minério de ferro exportado pelo Brasil. A estatal chinesa CMRG negocia ser agente exclusivo de vendas da CSN Mineração, ampliando seu domínio sobre o mercado global do insumo.

A Companhia Siderúrgica Nacional Mineração (CSN Mineração) está negociando um novo acordo de fornecimento de minério de ferro com a China Mineral Resources Group (CMRG), compradora estatal criada por Pequim em 2022 para centralizar as compras do insumo no mercado internacional.

De acordo com duas pessoas que acompanham as tratativas, o objetivo da CMRG é atuar como agente de vendas exclusivo para parte das cargas que a CSN embarca para a China. O formato espelha o acerto firmado recentemente com a mineradora australiana Roy Hill, controlada pela Hancock Prospecting, e reforça a estratégia chinesa de ganhar escala nas negociações e, com isso, tentar moderar os custos para o parque siderúrgico do país.

Publicidade

As mesmas fontes observam que a proposta difere dos entendimentos costurados até agora entre a CMRG e companhias como a BHP. Nestes casos, a estatal concentrou-se em obter condições comerciais mais favoráveis, sem interferir diretamente na intermediação das vendas.

Com produção de 45,5 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, a CSN figura entre os maiores fornecedores do Brasil, embora ainda distante dos volumes superiores a 250 milhões de toneladas anuais movimentados por gigantes globais como a própria BHP. A entrada da empresa brasileira no portfólio da CMRG amplia a lista de mineradoras que avaliam submeter parte de sua comercialização ao novo mecanismo de compra coordenada pela China.

Analistas veem a iniciativa como mais um passo na tentativa de Pequim de reduzir a volatilidade dos preços do minério, matéria-prima que responde por parcela relevante dos custos da indústria siderúrgica chinesa. A demanda continua robusta, mas a perspectiva de desaceleração do crescimento econômico tem levado o governo a buscar instrumentos de barganha adicionais.

Procuradas, CSN Mineração e CMRG não se manifestaram até o fechamento deste texto. As fontes consultadas solicitaram anonimato por não estarem autorizadas a falar publicamente sobre o tema e por a negociação permanecer em curso.

Se confirmada, a parceria poderá alterar rotas comerciais e adicionar um novo referencial para contratos de longo prazo entre mineradoras brasileiras e o mercado asiático. Até o momento, entretanto, não há prazo definido para a conclusão das discussões nem detalhes sobre volumes ou prazos de entrega.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
Entre no Grupo de Notícias