Charles III recusa Buckingham e mantém residência em Clarence House após reforma milionária

Rafael Ramos
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O rei britânico surpreende ao rejeitar tradição de 188 anos. Mesmo após reforma de R$ 2,3 bilhões, monarca prefere palácio menor. Decisão histórica rompe protocolo da realeza.

Autoridades do Palácio confirmaram, nesta quinta-feira (25/06), que o rei Charles III planeja continuar residindo em Clarence House, logo ao lado do Palácio de Buckingham, mesmo depois de concluída a reforma estimada em 369 milhões de libras no próximo ano. A decisão interrompe a tradição iniciada em 1837, quando a rainha Victoria transformou Buckingham na residência oficial dos soberanos britânicos.

O extenso projeto de modernização começou em 2017 e envolve a substituição de toda a fiação elétrica, tubulações e sistema de aquecimento, além de intervenções estruturais para preservar o patrimônio histórico. Mesmo sem utilizar o edifício como lar permanente, Charles III pretende manter quartos privados no palácio, que poderão servir como acomodação ocasional quando ele estiver em Londres.

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“É e continuará sendo a sede da monarquia, a joia da coroa dos nossos edifícios nacionais, com o estandarte do soberano hasteado no topo sempre que Sua Majestade estiver em Londres”, declarou James Chalmers, tesoureiro do rei e responsável pelo privy purse.

Chalmers ressaltou que cerca de 700 mil visitantes transitam anualmente pelos salões de Buckingham e indicou que haverá maior acesso ao público após a reforma, embora os detalhes desse novo modelo de visitação ainda não tenham sido definidos.

Durante o mesmo pronunciamento, a Casa Real divulgou valores inéditos de tributação. De acordo com os dados apresentados, Charles III pagou voluntariamente 12,9 milhões de libras referentes ao exercício fiscal 2024/25, somando mais de 30 milhões desde que ascendeu ao trono em 2022. Por lei, o soberano não é obrigado a recolher imposto de renda, ganhos de capital ou herança, prática que ele mantém por escolha própria, seguindo o exemplo da rainha Elizabeth II desde 1993.

O monarca também recebe receitas provenientes do Ducado de Lancaster, estimadas em 25,2 milhões de libras para 2025/26, além do Sovereign Grant, verba pública destinada a cobrir despesas de Estado, funcionários, palácios e viagens oficiais. Para 2026/27, o valor previsto é de 137,9 milhões de libras. No entanto, Chalmers informou que esse montante cairá a 100 milhões entre 2027/28 e 2031/32, em consonância com “os desejos claros” do rei e com salvaguardas que visam preservar a proporcionalidade do financiamento.

O príncipe William, herdeiro do trono, também divulgou seus números fiscais: 7,76 milhões de libras em impostos no mesmo exercício e a destinação de 1,5 milhão arrecadado com o aluguel de uma prisão desativada para projetos comunitários locais. Ambos os membros da família real continuam sob escrutínio de organizações civis que questionam o lucro obtido por meio de aluguéis cobrados de instituições públicas, como forças armadas, sistema de saúde e escolas.

Apesar de não residir permanentemente em Buckingham desde 2019, a família real mantém o palácio como palco principal de cerimônias, recepções diplomáticas e eventos de Estado. A estratégia responde ao objetivo de mesclar tradição e modernização: preservar a relevância simbólica do edifício enquanto se ajusta a preferências pessoais do monarca e a demandas por maior transparência financeira.

Concluída a reforma em 2027, o público deverá encontrar um Buckingham revitalizado, com infraestrutura atualizada e maior abertura a visitantes, enquanto Charles III seguirá administrando suas funções constitucionais a partir de Clarence House. Segundo Chalmers, a mudança logística não altera “em nada” o papel institucional do palácio na monarquia britânica.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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