Calor mata mais de 10 mil na Europa em uma semana, alerta rede

Robson Alves
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Onda de calor devastou a Europa entre 22 e 28 de junho, ceifando 10.650 vidas acima da média histórica. Idosos foram as principais vítimas, representando mais de 90% dos óbitos registrados.

Dados consolidados pela EuroMOMO, rede que reúne estatísticas de mortalidade de 27 países do continente, indicam que a onda de calor registrada entre 22 e 28 de junho resultou em 10.650 mortes em excesso, número que excede de forma significativa a média histórica para o mesmo período.

O conceito de “excesso de mortalidade” refere-se à diferença entre os óbitos observados e o esperado com base em séries temporais anteriores. Segundo os técnicos, mais de 90% das vítimas tinham 65 anos ou mais, faixa etária considerada particularmente vulnerável a temperaturas extremas por conta de problemas cardíacos e respiratórios preexistentes.

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“Registrar esse tipo de excesso nesta época do ano é incomum. É um número realmente alto”, avaliou Lasse Vestergaard, médico-chefe do instituto dinamarquês Statens Serum, que abriga a EuroMOMO. “É difícil explicar essa mortalidade por qualquer outro motivo que não o calor extremo.”

A rede não detalha cifras país a país, porém informou que França e Bélgica apresentaram classificação de “excesso muito alto” na última semana de junho. Na Bélgica, a agência de saúde Sciensano relatou a maior taxa associada a ondas de calor desde 2000.

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Ao longo das oito semanas anteriores ao pico, a mortalidade combinada no conjunto dos países acompanhados ficava cerca de 500 óbitos abaixo da média semanal, mostrando quão abrupto foi o salto observado quando as temperaturas quebraram recordes na França, Espanha e Reino Unido. A EuroMOMO destaca que os números ainda podem ser revisados nas próximas semanas, à medida que novas certidões de óbito sejam processadas.

Pesquisadores citados pela rede lembram que o calor intenso pode levar à insolação e potencializar doenças cardiovasculares e pulmonares, sobretudo entre idosos. Eles também reforçam que mudanças climáticas antrópicas tornam eventos semelhantes mais frequentes e severos, fenômeno já descrito em literatura científica revisada por pares.

Um estudo divulgado nesta segunda-feira (13), conduzido por Imperial College London, Met Office do Reino Unido e London School of Hygiene & Tropical Medicine, calculou 2.700 mortes relacionadas ao calor na Inglaterra e no País de Gales durante maio e junho. Segundo os autores, 42% desse total decorrem do aquecimento adicional imputável às emissões de gases de efeito estufa.

Além do impacto humano, o episódio de calor extremo causou interrupções no fornecimento de energia, fechou escolas e pressionou sistemas de saúde locais, que enfrentaram aumento de internações por complicações respiratórias.

Especialistas recomendam hidratação frequente, manutenção de ambientes ventilados e atenção redobrada a crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas em períodos de temperatura elevada. Governos europeus estudam ampliar alertas e protocolos de emergência para mitigar riscos em futuras ondas de calor.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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