Ondas de calor elevam o risco de desidratação em grupos vulneráveis. Especialistas alertam: não espere a sede chegar. Saiba como proteger sua família.
A desidratação é um quadro clínico que se instala quando o organismo perde mais água e sais minerais do que consegue repor. A condição interfere na regulação da temperatura corporal e sobrecarrega órgãos vitais, especialmente em dias de calor intenso, quando o suor e a respiração acelerada aumentam a perda de líquidos.
De acordo com orientações de especialistas e do Ministério da Saúde, a prevenção deve ser contínua. Não se recomenda aguardar o surgimento da sede. Para bebês e crianças pequenas, o ideal é oferecer líquidos a cada hora, intercalando água pura com frutas ricas em água. No caso dos idosos, manter um copo sempre ao alcance da vista e estimular pequenos goles a cada hora é a estratégia mais eficiente. Diante de temperaturas recordes ou exposição direta ao sol, o intervalo deve ser reduzido para 30 a 40 minutos.
Os sintomas variam conforme a idade, mas alguns sinais são comuns. Boca seca, lábios rachados e urina escura indicam que o corpo está poupando água. Em bebês, choro sem lágrimas e moleira afundada sinalizam alerta máximo. Entre os idosos, confusão mental, sonolência e irritabilidade podem surgir rapidamente. Outros indícios avançados incluem perda de elasticidade da pele, olhos encovados e batimentos cardíacos acelerados.
“Como o mecanismo da sede é menos eficiente nos extremos da vida, a observação atenta dos cuidadores faz toda a diferença”, ressaltam profissionais de saúde.
Crianças e idosos apresentam vulnerabilidades distintas. Nos pequenos, a alta taxa metabólica e o sistema de transpiração ainda imaturo dificultam o resfriamento do corpo, provocando perdas de líquido sem que percebam. Nos mais velhos, a reserva hídrica naturalmente diminui de cerca de 70% na juventude para 50% após os 60 anos. Além disso, o hipotálamo — região cerebral que dispara a sensação de sede — perde sensibilidade com a idade.
Quando a hidratação domiciliar não traz melhora, procurar o pronto-socorro torna-se indispensável. O exame clínico inclui avaliação da umidade das mucosas, pressão arterial, frequência cardíaca e tempo de enchimento capilar. Relatos sobre troca de fraldas, episódios de vômito, diarreia e perda de peso recente ajudam a dimensionar o déficit hídrico. Em cenários de prostração intensa ou alterações neurológicas, exames laboratoriais verificam eletrólitos essenciais, como sódio e potássio, além da função renal.
O tratamento depende da gravidade. Casos leves costumam ser resolvidos com terapia de reidratação oral, utilizando água, água de coco, sucos naturais sem açúcar e soro caseiro ou sais de reidratação comprados em farmácias. Para bebês que ainda mamam, recomenda-se aumentar a frequência das mamadas, pois o leite materno fornece líquidos e nutrientes na proporção adequada. Se houver vômitos persistentes ou incapacidade de ingerir líquidos, pode ser necessária hidratação venosa em ambiente hospitalar.
Além da oferta regular de água, medidas preventivas envolvem roupas leves, ambientes ventilados e a preferência por atividades em horários menos quentes. A vigilância constante e a reposição periódica de líquidos permanecem como a forma mais segura de evitar complicações associadas à desidratação durante ondas de calor.
Siga a República da Verdade e entre no nosso grupo exclusivo de discussão política.









