Em Brasília, o ex-governador criticou mensalidades altas e a abertura acelerada de graduações. Para ele, a formação médica perdeu controle de qualidade.
Nesta quarta-feira (19), o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), criticou a expansão acelerada de cursos de medicina no país. Durante o 34º Congresso da Confederação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Filantrópicos, em Brasília, ele classificou o setor como um negócio semelhante a uma “bet institucionalizada”, apontando a cobrança de mensalidades elevadas sem, segundo sua avaliação, a contrapartida de qualidade na formação.
“A pulverização de faculdades de medicina no Brasil inteiro virou uma verdadeira bet institucionalizada. É só para cobrar mensalidade do pai.”
Médico ortopedista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mestrado na mesma instituição e especialização na França, Caiado reforçou a crítica ao afirmar que muitos recém-graduados deixam a universidade sem domínio de competências básicas.
“A formação da maioria dos jovens não passa por uma prova de proficiência. Não sabem fazer um exame clínico, não sabem dar um diagnóstico diferencial, não sabe operar um paciente. E, no entanto, sai formado com diploma de médico.”
O pronunciamento ocorreu num momento em que o Ministério da Educação contabiliza mais de 370 cursos de medicina autorizados em todo o território nacional — número quatro vezes maior que o existente há 15 anos. Entidades como o Conselho Federal de Medicina defendem a suspensão de novos editais até que critérios de qualidade sejam revisados, enquanto mantenedoras de ensino privado argumentam que a oferta ampliada ajuda a reduzir o déficit de profissionais em regiões remotas.
Além das críticas, Caiado apresentou medidas que pretende adotar caso seja eleito. Entre elas está a implantação de telemedicina em Unidades Básicas de Saúde para compensar a falta de especialistas.
“Pretendo dar acesso à telemedicina para que o médico consiga orientar o paciente.”
Na véspera, 18 de agosto, ele já havia divulgado um pacote de propostas para modernizar o Sistema Único de Saúde, o qual inclui informatização de prontuários, incentivo à pesquisa clínica e campanhas de vacinação capazes de recuperar a confiança popular nos imunizantes.
A agenda de Caiado tem privilegiado temas da saúde pública nas últimas semanas, estratégia que dialoga com sua formação profissional e busca capitalizar preocupações do eleitorado após a pandemia de Covid-19. Pesquisas internas de partidos rivais indicam que qualidade do atendimento médico está entre as três principais prioridades do eleitor brasileiro em 2026, ao lado de segurança e geração de empregos.
No Congresso das Santas Casas, onde gestores filantrópicos discutem financiamento e reequilíbrio de contratos com o poder público, o discurso do ex-governador foi recebido com aplausos moderados. Outras autoridades presentes defenderam, em linhas gerais, maior rigor na avaliação de cursos, mas destacaram que a interiorização da formação médica pode ser um caminho para fixar profissionais em áreas carentes.
Encerrando sua participação, Caiado afirmou que levará o debate ao plano nacional de governo que deve ser finalizado até o fim de setembro. Nos próximos dias, a campanha agenda encontros com representantes de universidades federais, conselhos profissionais e organizações estudantis para aprofundar o tema.
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