Regulador antitruste aprovou a criação da Verene Energia, nova holding que concentra ativos estratégicos de transmissão no país. A operação une o grupo colombiano GEB e a gestora canadense CDPQ, com impacto direto na infraestrutura elétrica nacional.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, em 13/07/2026, a operação que reuniu os ativos de transmissão de energia do Grupo Energía Bogotá (GEB) e da gestora canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ) no Brasil sob a holding Verene Energia.
Pelos termos do acordo, o GEB transferiu à Verene suas participações na Gebbras e na Argo Energia, além de efetuar um aporte financeiro cujo valor não foi divulgado. A Verene, até então controlada integralmente pela CDPQ, passou a ter estrutura de controle compartilhado entre os dois grupos, preservando o equilíbrio de participação societária definido no contrato.
A nova companhia deverá consolidar 26 concessões e mais de 9 mil quilômetros de linhas de transmissão espalhadas por 17 estados brasileiros. De acordo com estimativas das empresas, o portfólio conjunto representará 7,45% da Receita Anual Permitida (RAP) do mercado nacional de transmissão, segmento que movimenta aproximadamente R$ 50,22 bilhões por ano.
Os executivos afirmaram que o objetivo da combinação é ampliar a eficiência operacional, acelerar investimentos em infraestrutura e fortalecer a presença no setor de transmissão, considerado estratégico para a expansão das energias renováveis no país. O Cade concluiu que a operação não levanta preocupações concorrenciais relevantes, pois a participação resultante continua inferior ao limite de concentração que poderia afetar a livre competição.
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Conforme determina a autarquia, as empresas deverão manter os padrões de governança já adotados e apresentar relatórios periódicos sobre eventuais impactos nas tarifas de uso do sistema de transmissão. Caso surjam sobreposições de mercado que ultrapassem os parâmetros estabelecidos, poderá haver reavaliação do ato de concentração.
O GEB, grupo colombiano com presença em geração, transporte e distribuição de energia e gás na América Latina, reforça a estratégia de diversificar receitas fora do país de origem. A CDPQ, um dos maiores fundos de pensão do Canadá, já vinha ampliando a exposição ao setor elétrico brasileiro, considerado atraente pela previsibilidade regulatória e pela robustez da demanda.
Com a integração chancelada pelo Cade, a Verene Energia terá condições de disputar novos leilões de transmissão previstos para os próximos anos, em especial aqueles associados às obras de escoamento de projetos de energia solar e eólica no Nordeste e de reforço às interligações Norte-Sul. A sinergia operacional esperada inclui padronização de sistemas, otimização de equipes técnicas e negociação conjunta de contratos de manutenção.
O fechamento financeiro da transação depende agora do cumprimento de etapas societárias internas, como a integralização dos aportes acordados e o registro das mudanças societárias nos órgãos competentes. As companhias estimam concluir essas fases no segundo semestre de 2026, criando a quarta maior operadora independente de transmissão do país em quilômetros de linha instalados.
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