Cabo Verde estreia na Copa 2026 após chamar diáspora

Rafael Ramos
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Cabo Verde na Copa 2026 – A seleção cabo-verdiana conquistou participação inédita no Mundial que ocorrerá em junho de 2026 nos Estados Unidos, no México e no Canadá, ao reunir jogadores que vivem fora do arquipélago e superar favoritos nas eliminatórias africanas.

Pais de 500 mil moradores entre estreantes

Com a ampliação de 32 para 48 equipes, a Copa ganhou 16 vagas extras em relação ao torneio do Catar. O novo formato abriu espaço para quatro estreantes: Cabo Verde, Curaçau, Jordânia e Uzbequistão. Entre eles, o arquipélago africano é o segundo menor participante, atrás apenas da ilha caribenha.

Raízes, independência e identidade

Cabo Verde, formado por dez ilhas perto da costa noroeste da África, tem aproximadamente 500 mil habitantes em seu território e mais de 1 milhão espalhados entre Europa e Américas. Para o jornalista e professor João Almeida Medina, da Universidade de Cabo Verde, essa diáspora molda o país.

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“Somos um país cosmopolita que se constituiu por essa ligação entre a África, as Américas e a Europa”, explicou Medina.

Após a independência de Portugal, há 50 anos, o líder Amílcar Cabral usou o futebol para fortalecer a ideia de unidade nacional.

“Ele dizia que as pessoas podem ter habilidades diferentes, técnicas diferentes, mas têm que unir-se”, recordou o professor.

Dos primeiros passos aos Tubarões Azuis

A seleção filiou-se à Confederação Africana de Futebol em 1986 e à Fifa em 1988. O apelido Tubarões Azuis homenageia animais locais ameaçados pelo aquecimento das águas, que reduz o oxigênio e facilita a pesca predatória.

O caminho dentro de campo ganhou força em 2012, quando o técnico Lúcio Antunes convocou atletas da diáspora e levou o time às quartas de final do Campeonato Africano das Nações (CAN).

Virada com Bubista

Em 2020, o ex-zagueiro Pedro Brito, o Bubista, assumiu a equipe em plena pandemia. Sob seu comando vieram duas classificações seguidas para a Copa Africana, em 2021 e 2023, e a arrancada rumo ao Mundial.

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Ídolos como o atacante Bebé (Tiago Manuel Dias Correia) e o goleiro Vozinha (Josimar Dias) reforçaram a campanha. Nas eliminatórias, o time emendou cinco vitórias, incluindo triunfo sobre Camarões selado por gol de Daylon Livramento.

“O resultado fez sacudir o espírito de um país inteiro”, afirmou Medina.

Expectativa contra gigantes

Confiante, o professor acredita que a torcida brasileira também apoiará a seleção africana.

“Não iremos apenas participar. Temos uma equipa bem equilibrada, liderança e entusiasmo. Faremos bonito nos Estados Unidos”, projetou.

Antes de divulgar a lista final entre abril e maio, os Tubarões Azuis medirão forças com o Chile em amistoso na Nova Zelândia.

Fonte: Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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