Bukele vai ao terceiro mandato e mira 2033 com domínio total em El Salvador

Robson Alves
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Sem concorrência interna, Bukele foi confirmado candidato para 2027. Com popularidade alta e violência em queda, o líder salvadorenho consolida um dos governos mais dominantes da América Latina.

O presidente Nayib Bukele foi ratificado como candidato do partido governista Nuevas Ideas à eleição presidencial marcada para 28 de fevereiro de 2027, consolidando a possibilidade de permanecer no poder até 2033. A escolha ocorreu em votação interna no último fim de semana, sem oposição relevante dentro da sigla, e reforça o cenário de forte controle político exercido pelo chefe do Executivo salvadorenho.

Bukele, que assumiu em junho de 2019 prometendo romper com as tradicionais ARENA e FMLN, chega à disputa com alta popularidade impulsionada pela queda expressiva dos índices de violência. Desde março de 2022, o estado de exceção permitiu a prisão de mais de 92 mil suspeitos e a apreensão de 5.451 armas, 12.110 veículos e 24.955 celulares, números citados pelo governo como prova de eficácia das medidas de segurança.

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“As pessoas não votam mais em partidos ou ideologias; agora votam em indivíduos. Não votam mais em plataformas, mas sim em resultados — em ações concretas”, afirmou Juan Ramón Maldonado, diretor da Escola de Comunicação da Universidade Don Bosco.

Ainda em 2025, a Assembleia Legislativa, dominada por Nuevas Ideas, aprovou emenda constitucional que possibilita reeleição ilimitada e ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos a partir de 2027. A mudança encurtou o atual período de Bukele e também eliminou o segundo turno para a escolha do presidente: vence quem receber a maioria simples dos votos válidos.

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Analistas observam que a combinação de popularidade pessoal, fragmentação da oposição e controle das instituições coloca o atual mandatário em posição confortável. Pesquisas recentes apontam grande vantagem do presidente em relação a postulantes de ARENA e FMLN, partidos que perderam respaldo após décadas marcadas por corrupção e incapacidade de conter o avanço das gangues.

“A segurança é a principal área em que o presidente nos ajudou; é por isso que agora apoiamos a continuidade de sua liderança”, declarou Harold Castillo, militante do Nuevas Ideas que participou da votação interna.

Para especialistas, a ausência de novas lideranças, somada ao descrédito nos partidos tradicionais, deverá prolongar o ciclo político iniciado por Bukele. O analista Juan Ramón Maldonado avalia que a “deterioração dos partidos políticos” abre espaço para que o presidente amplie seu projeto de poder. Caso vença em 2027, Bukele poderá influenciar diretamente a escolha de magistrados e a formulação de leis por mais tempo, uma vez que seu partido detém a maioria absoluta no Legislativo.

Ao mesmo tempo em que críticos alertam para riscos de concentração de poder, a base eleitoral do presidente enfatiza a melhora na sensação de segurança como justificativa para mantê-lo no cargo. Sem sinais claros de recuperação dos rivais, o pleito de 2027 tende a confirmar a predominância política de Bukele em El Salvador pelos próximos anos.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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