Governo cobra rapidez em avaliação europeia que pode afetar vendas de carnes brasileiras. Setor busca previsibilidade para disputar cotas no mercado da UE em 2026.
O governo brasileiro quer pedir urgência na publicação do relatório da missão da União Europeia que está no país para avaliar os controles sanitários da produção animal, segundo relatos de fontes envolvidas nas negociações. O documento deverá subsidiar decisões comerciais e sanitárias, e o resultado pode demorar até 60 dias para ser concluído.
A demanda por aceleração tem motivo comercial: empresas brasileiras buscam previsibilidade para se preparar para 2026, quando será avançada a definição da divisão das cotas de acesso preferencial ao mercado europeu previstas no acordo entre Mercosul e UE. Em 2026, o acesso às cotas ocorrerá de forma provisória pelo sistema FIFO (“first in, first out”), ou seja, por ordem de chegada, e a ideia é ter definição o quanto antes para que exportadores adaptem produção e atendimento às exigências europeias.
Técnicos europeus estão avaliando pontos específicos do sistema de controle sanitário brasileiro, com foco em estabelecimentos de aves e de mel, além de laboratórios, fábricas de ração e órgãos estaduais de defesa sanitária de Mato Grosso e do Paraná. A expectativa é que a inspeção abra espaço para uma retomada mais rápida das exportações desses produtos, caso a auditoria conclua que o sistema oferece as garantias exigidas pelos europeus. A Comissão Europeia, a partir desse relatório, poderá avaliar a retomada das importações.
A carne bovina não integra a inspeção atual e tem cenário diferenciado. O setor e o governo consideram improvável a reversão da suspensão em curto prazo, porque as exigências europeias envolvem rastreabilidade e controle sanitário ao longo de todo o ciclo de produção, que pode levar no mínimo dois anos. Em razão de medida adotada sobre o uso de antimicrobianos na produção brasileira, a partir de quinta-feira (3) as importações de carne bovina devem ser totalmente bloqueadas para o bloco.
Produtores e entidades do setor questionam a conveniência de apostar na exportação de bovinos para a UE diante da necessidade de demonstrar confiança nos controles e da possibilidade de aplicação das exigências durante todo o ciclo de vida dos animais. A lógica apresentada é que um animal incluído hoje no sistema poderia levar cerca de dois anos até o abate, o que aumenta o risco de custos e incertezas caso os critérios europeus mudem ao longo desse período.
O debate do setor tem dois eixos: normas que permitam aos produtores interessados se adequarem sem obrigar toda a cadeia e negociações diplomáticas para obter critérios claros e previsíveis da parte europeia. Sem previsibilidade sobre o que será considerado suficiente para a retomada das vendas, produtores apontam que investimentos e mudanças de manejo ficam difíceis de justificar, e recursos podem ser redirecionados a mercados com demanda consolidada, como a China.
O que vem a seguir é a tentativa do governo de acelerar a publicação do relatório europeu; o documento, quando finalizado, servirá de base para decisões da Comissão Europeia e para as discussões sobre a divisão de cotas em 2026. O prazo estimado de até 60 dias para conclusão do relatório marcará o calendário para essas próximas etapas.
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