Brasil faz última tentativa de barrar tarifa americana de 25% antes de decisão

Robson Alves
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O governo Lula encerrou nesta segunda as negociações com Washington antes do prazo fatal. Amanhã, os EUA decidem se taxam produtos brasileiros em 25% — e o resultado impacta diretamente empregos e preços no país.

Representantes do Palácio do Planalto, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) realizaram, na tarde de hoje (14/07), a quinta e última videoconferência com o chefe interino do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. O encontro encerrou a rodada de negociações antes de Washington anunciar, nesta quarta-feira (15/07), se imporá uma sobretaxa de 25% a produtos brasileiros com base na chamada investigação da “Seção 301”.

Em nota distribuída depois da reunião, o governo brasileiro qualificou a possível medida como desproporcional e sem respaldo técnico. O Planalto reiterou que também considera injustificada a tarifa de 12,5% que os norte-americanos cogitam estender a outras 59 nações por alegada falta de combate ao trabalho forçado.

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“Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justifica a aplicação das tarifas recomendadas. Cumprindo orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou-se que a adoção de qualquer sobretaxa seria injusta e não contribuiria para um entendimento bilateral equilibrado”, diz o comunicado.

Segundo fontes que acompanham as tratativas, Brasília trabalha com três cenários. O mais provável é a aplicação imediata da tarifa de 25%, amparada no histórico de decisões protecionistas adotadas pela administração Donald Trump. A possibilidade de adiamento, ainda que considerada, é vista como menos provável. Neste contexto, membros do governo não descartam que fatores políticos internos dos EUA — como a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aliado de Trump — possam influenciar um eventual adiamento, hipótese descrita por assessores como “estratégica”. A remota chance de prorrogação por motivos exclusivamente técnicos completa a lista.

Para tentar evitar o tarifaço, o Brasil apresentou aos negociadores norte-americanos um plano dividido em seis eixos que aborda, entre outros pontos, combate à corrupção e controle do desmatamento. O documento não incluiu o PIX, considerado inegociável por Brasília. Há, ainda, proposta de reduzir tarifas de cerca de 300 linhas para múltiplos parceiros — e não apenas para os Estados Unidos — de forma compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Interlocutores do governo destacam que, mesmo sem garantia de sucesso, a ofensiva diplomática pretende demonstrar “boa-fé” e preservar frentes de diálogo após o anúncio de quarta-feira. Caso a sobretaxa seja confirmada, técnicos do Mdic já mapeiam contramedidas possíveis, que vão desde questionamentos na OMC até ajustes na política de importação que minimizem impactos sobre setores estratégicos da economia nacional.

Além do USTR, o Itamaraty mantém conversas com parlamentares e representantes do setor privado norte-americano, ressaltando que as exportações brasileiras complementam — e não competem de forma direta com — a produção local em diversos segmentos, o que poderia resultar em elevação de custos para a indústria e para o consumidor dos Estados Unidos.

O desfecho do caso será conhecido amanhã. Até lá, o governo brasileiro avalia que qualquer sinal de abertura por parte de Washington poderá reativar o canal de negociação e evitar um conflito comercial de maiores proporções.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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