Brasil e Índia firmam oito acordos e miram ampliar comércio para US$ 20 bilhões até 2030

Robson Alves
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “muito promissor” o sábado (21) em Nova Deli após Brasil e Índia assinarem oito instrumentos de cooperação que, segundo ele, respondem ao crescente protecionismo global com mais diversidade de parceiros e mercados.

Seis dos documentos firmados são memorandos de entendimentos – etapa anterior a contratos definitivos – e abrangem áreas como mineração, cadeia de suprimentos do aço, saúde, setor postal, micro e pequenas empresas e certificação eletrônica de origem. Também foram celebrados uma declaração conjunta sobre parceria digital e um acordo entre o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial indiano (CSIR) e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para acesso à Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional.

Foco em minerais críticos e siderurgia

Entre os memorandos, ganhou destaque a cooperação no campo de elementos de terras raras e minerais críticos, assinada pelos ministérios de Minas dos dois países. Outro termo trata da mineração para a cadeia de suprimentos do aço, envolvendo o Ministério do Aço da Índia e o Ministério de Minas e Energia do Brasil.

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Listagem dos oito instrumentos

• Declaração Conjunta sobre Parceria Digital para o Futuro;
• Memorando de Entendimento em elementos de terras raras e minerais críticos;
• Acordo CSIR/INPI para acesso à Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional (TKDL);
• Memorando de Entendimento entre Anvisa e CDSCO/DGHS na área de vigilância sanitária;
• Memorando de Cooperação no Setor Postal;
• Memorando de Cooperação para Micro, Pequenas e Médias Empresas;
• Memorando sobre mineração para a cadeia do aço;
• Memorando sobre o uso de Certificados Eletrônicos de Origem.

“Conectividade e diversificação”

Durante o encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Índia, que reuniu mais de 300 empresas brasileiras na capital indiana, Lula destacou que “conectividade e diversificação comercial viraram sinônimo de resiliência diante do recrudescimento do protecionismo e do unilateralismo”. Mais cedo, ao lado do primeiro-ministro Narendra Modi, o presidente já havia defendido o multilateralismo como caminho para o comércio internacional.

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“Somos ambos países mega-diversos e polos da indústria cultural. Somos ambos defensores do multilateralismo e da paz”, afirmou Lula.

Meta de comércio bilateral

A aproximação ocorre em um cenário de recorde nas trocas entre os dois países. Em 2025, o comércio bilateral somou US$ 15 bilhões, alta de 25,5% em relação ao ano anterior. Brasília e Nova Deli agora trabalham para elevar esse fluxo a US$ 20 bilhões até 2030 e iniciaram negociações para ampliar o Acordo de Comércio Preferencial Mercosul–Índia.

Lula lembrou que, desde a criação da parceria estratégica em 2006, o intercâmbio comercial saltou de US$ 2,4 bilhões para US$ 15 bilhões, mas avaliou que o volume “ainda é pouco diante do tamanho da Índia e do Brasil”. Para ele, tornar mais abrangente o acordo Mercosul-Índia é “prioridade” rumo a um futuro tratado de livre-comércio.

Agenda asiática

A viagem faz parte de rota pela Ásia iniciada na terça-feira (17). Após a Índia, a comitiva presidencial segue neste domingo (22) para Seul, onde será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, elevando o relacionamento com a Coreia do Sul a patamar de parceria estratégica.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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