Em Seul, nesta segunda-feira (23), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Jae-myung anunciaram um pacote de acordos que coloca Brasil e Coreia do Sul em nova fase de cooperação. Os entendimentos abrangem agricultura, tecnologia, produção de medicamentos, além de iniciativas para ampliar o intercâmbio cultural e educacional.
No pronunciamento conjunto, os dois chefes de Estado reafirmaram o objetivo de aumentar o comércio bilateral e defenderam valores democráticos como antídoto a extremismos, desinformação e ameaças autoritárias. A declaração ocorreu poucas horas depois de Lula chegar à capital sul-coreana, vindo da Índia.
Parceria estratégica e plano trienal
Lula lembrou que esteve na Coreia do Sul em 2005, em visita oficial, e em 2010, durante a Cúpula do G20. Segundo ele, o intervalo de 16 anos sem a presença de um presidente brasileiro no país “é incompatível com os vínculos sociais e econômicos” entre as nações. Ao lado de Lee Jae-myung, o brasileiro informou que o relacionamento bilateral foi elevado ao nível de Parceria Estratégica, acompanhado de um Plano de Ação com metas para os próximos três anos.
Comércio e investimentos
O presidente brasileiro ressaltou que o Brasil é o principal destino de investimentos sul-coreanos na América Latina. O intercâmbio comercial entre os dois países atinge US$ 11 bilhões, classificando a Coreia do Sul como o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia. “Agora, damos início a um renovado ciclo de desenvolvimento e prosperidade compartilhada”, declarou.
A transição energética foi citada como área de grande potencial de cooperação. Lula destacou oportunidades em cadeias de minerais críticos e em setores de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial.
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Acordo-quadro e negociações com o Mercosul
Entre os instrumentos firmados, está um Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva. O dispositivo pretende simplificar o fluxo de bens, harmonizar normas e aumentar a segurança jurídica para empresas dos dois países. Também foi assinado um memorando que amplia a cooperação financeira em temas de interesse comum.
Os presidentes discutiram ainda a retomada das negociações entre o Mercosul e a Coreia do Sul, interrompidas em 2021. Segundo Lula, há disposição de buscar “caminhos” para recolocar o processo na pauta.
Saúde como eixo de colaboração
A área de saúde ganhou destaque na agenda bilateral. Os governos acordaram ações conjuntas na produção de medicamentos e vacinas, pesquisa em diagnóstico de doenças transmissíveis e crônicas, genômica avançada e saúde digital.
Com o conjunto de medidas, Brasil e Coreia do Sul sinalizam intenção de estreitar laços não apenas econômicos, mas também científicos e culturais, apoiados em compromissos democráticos compartilhados.
Com informações de Agência Brasil
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