Wall Street deu o tom: dúvidas sobre o retorno da inteligência artificial derrubaram o Nasdaq pelo segundo dia seguido. Na Ásia, Seul reagiu forte com semicondutores, mas nem todos os mercados escaparam da turbulência.
As principais bolsas da Ásia fecharam em sentidos opostos nesta quarta-feira, 24 de junho, refletindo o segundo dia consecutivo de realização de lucros em ações de tecnologia nos Estados Unidos. O movimento em Wall Street, onde o índice Nasdaq voltou a ceder diante de dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial, ditou grande parte do humor dos mercados asiáticos ao longo da madrugada.
Em Seul, o Kospi recuperou parte das perdas da véspera e avançou 3,26%, encerrando a 8.471,02 pontos. O salto foi impulsionado pelas gigantes de semicondutores Samsung Electronics e SK Hynix, que subiram 9,84% e 0,98%, respectivamente, depois de terem amargado quedas superiores a 12% no pregão anterior. Investidores avaliaram que o recuo excessivo abriu espaço para compras pontuais, embora a cautela permaneça.
No Japão, o Nikkei recuou 0,88%, aos 69.174,97 pontos, apagando parte dos ganhos acumulados no mês. Analistas locais apontaram que a preocupação com o desempenho de empresas ligadas a tecnologia ofuscou dados domésticos positivos de exportação. Já em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,33%, a 23.412,18 pontos, sustentado por papéis do setor financeiro, enquanto em Taiwan o Taiex caiu 2,24%, terminando a sessão em 46.043,60 pontos, com perdas concentradas em fabricantes de chips.
Na China continental, o Shanghai Composto registrou ligeiro ganho de 0,11%, a 4.110,81 pontos, e o Shenzhen Composto subiu 0,77%, a 2.855,61 pontos. Operadores consultados ponderaram que o fluxo de investidores domésticos foi suficiente para compensar saídas de capital estrangeiro em meio à volatilidade global.
Preços vistos na Amazon em 10/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Na Oceania, o S&P/ASX 200 de Sydney avançou 0,24%, encerrando a 8.808,40 pontos, apoiado em ações de mineração e bancos. O desempenho positivo da bolsa australiana contrastou com a fraqueza observada em mercados de tecnologia e reforçou a leitura de que fatores regionais seguem influenciando decisões de portfólio.
O pano de fundo geopolítico também permaneceu no radar. O petróleo do tipo Brent recuava 1,5% no fim da madrugada, sendo negociado abaixo de US$ 76 o barril, menor nível desde 27 de fevereiro. A retração ocorreu após sinais de normalização gradual do fluxo no Estreito de Ormuz, decorrentes de um acordo de paz provisório entre Estados Unidos e Irã.
Para estrategistas, a combinação de perspectivas de menor tensão no Oriente Médio, ajustes nas expectativas para a inteligência artificial e realização de lucros em gigantes de tecnologia em Nova York sustenta um cenário de volatilidade elevada. Embora alguns índices tenham mostrado capacidade de recuperação, o sentimento geral ainda é de prudência. Investidores seguem atentamente indicadores econômicos dos EUA, dados de inflação na zona do euro e eventuais revisões de crescimento na China, fatores considerados cruciais para o posicionamento de carteiras nas próximas semanas.
Até que haja maior clareza sobre o ritmo de alta de juros nas principais economias e sobre a real extensão dos ganhos provenientes de aplicações em inteligência artificial, a tendência é que os pregões asiáticos continuem reagindo de forma divergente, alternando movimentos de correção e de apetite por risco conforme novos dados são divulgados.
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