Banco Master – O caso que envolve Daniel Vorcaro e a quebra do Banco Master, com prejuízo superior a R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, é comparado ao escândalo da loja maçônica secreta Propaganda Due (P2), revelado na Itália no início dos anos 1980.
Rede paralela na Itália
A P2, comandada na década anterior pelo financista e industrial Licio Gelli, reunia 962 integrantes — entre políticos, magistrados, empresários, jornalistas, chefes dos serviços secretos e militares — formando uma estrutura de poder paralela ao Estado italiano.
Os nomes estavam numa lista apreendida na casa de Gelli durante busca ligada à investigação do banqueiro Michele Sindona, também membro da loja, ligado à máfia e ex-assessor financeiro do Vaticano.
Mortes de banqueiros da P2
Sindona, condenado nos Estados Unidos pela quebra fraudulenta do Franklin National Bank, morreu em prisão de segurança máxima após ingerir café com cianeto de potássio, dois dias depois da sentença. Oficialmente classificado como suicídio, o caso nunca afastou suspeitas de homicídio ou “suicídio assistido”.
Quatro anos antes, Roberto Calvi — conhecido como “banqueiro de Deus” por comandar o Banco Ambrosiano, cujo maior acionista era o Vaticano — foi encontrado enforcado sob uma ponte em Londres. Perícia posterior indicou estrangulamento antes da cena montada como suicídio.
Plano de “renascimento democrático”
Na mesma operação, a polícia localizou o “plano de renascimento democrático”, que previa transformar o Estado italiano em regime autoritário, controlar a imprensa e enfrentar o então poderoso Partido Comunista Italiano. A crise resultante levou à queda do governo de Arnaldo Forlani, que tinha três ministros e cinco subsecretários listados como membros da P2.
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Paralelos com o Banco Master
No Brasil, Vorcaro não apresentou ambição política: segundo as investigações, concentrou-se em fraudes financeiras que formaram uma pirâmide, atingiram correntistas e aposentados e drenaram recursos bilionários do sistema de garantia de depósitos.
A semelhança com a P2, de acordo com analistas, está no grau de infiltração em estruturas estatais. A dimensão dessa rede poderá vir à tona caso o empresário firme a delação considerada “séria”.
Documentos citam que o ministro Alexandre de Moraes teria se comunicado com o banqueiro, indício da penetração do esquema em setores de poder.
Para críticos, Vorcaro se beneficiou de uma engrenagem autoritária já existente no Estado brasileiro, que opera nas sombras, garante poder, lucro ilícito e, até o momento, impunidade.
Fonte: Revista Oeste
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