Argentina bate recorde e exporta US$ 1,76 bi em carne bovina em 2026

Robson Alves
4 Min Leitura

A Argentina avança forte no mercado global de carnes. Entre janeiro e maio, as exportações subiram 10,9% em volume e 31,6% em receita, acendendo alerta para o agronegócio brasileiro.

A indústria pecuária da Argentina registrou avanço nas vendas externas de carne bovina no acumulado de janeiro a maio de 2026. De acordo com dados compilados pela Coordenação de Análise Pecuária da Secretaria de Agricultura, o país exportou 332,2 mil toneladas equivalente carcaça, o que corresponde a aumento de 10,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Em termos de receita, o desempenho também foi positivo. As exportações totalizaram US$ 1,76 bilhão, alta de 31,6% na comparação anual. O montante reflete não apenas o incremento no volume embarcado, mas principalmente a valorização do produto no mercado internacional, estimulada por demanda consistente da Ásia e por ajustes na oferta global.

Publicidade

O preço médio por tonelada equivalente carcaça atingiu US$ 5.312, avanço de 45,9% na relação ano a ano. Esse ganho de preços tem sido decisivo para a expansão do faturamento, ainda que o ritmo de crescimento do volume exportado permaneça inferior ao observado em outras grandes nações produtoras da região.

Entre os destinos, a China manteve a liderança absoluta, absorvendo a maior parte dos embarques. Na sequência aparecem Estados Unidos, Israel, União Europeia e Chile. Juntos, esses cinco mercados responderam por 95% do volume exportado e por 94% da receita gerada no período analisado.

Achados com desconto Publicidade

Preços vistos na Amazon em 07/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.

Embora a China concentre maior participação, embarques para mercados de maior valor agregado – como Estados Unidos e União Europeia – também avançaram, fator que contribuiu diretamente para o aumento do preço médio e da rentabilidade das plantas frigoríficas argentinas.

O relatório governamental indica ainda que a Argentina segue progredindo no preenchimento da cota de 511 mil toneladas estabelecida pelas autoridades chinesas. Até maio, estimativas apontavam utilização entre 39% e 46% do limite. Considerando o ritmo embarcado nos primeiros cinco meses do ano, esse percentual poderia ter avançado para uma faixa de 47% a 55%.

Analistas observam que, historicamente, entre 60% e 70% das exportações argentinas de carne bovina destinam-se à China. Por isso, a velocidade no uso da cota continua a ser acompanhada de perto por exportadores, que buscam diversificar mercados para reduzir riscos cambiais e sanitários.

No cenário interno, entidades do setor avaliam que a combinação de demanda firme, preços internacionais elevados e câmbio competitivo cria ambiente favorável para que os embarques se mantenham em trajetória de crescimento ao longo do segundo semestre. Entretanto, alertam para desafios como custos logísticos, disponibilidade de gado para abate e oscilações nos protocolos sanitários dos principais compradores.

Mesmo diante desses pontos de atenção, a perspectiva de analistas privados é de que a Argentina encerre 2026 com novo recorde de receita cambial proveniente de carne bovina, apoiada na estratégia de acesso a mercados de maior remuneração e na manutenção do apetite asiático por proteína animal.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
Entre no Grupo de Notícias