Alckmin vê ‘avenida aberta’ para comércio após Suprema Corte dos EUA anular tarifaço de Trump

República da Verdade
3 Min Leitura
DF - BRASÍLIA, JAIR BOLSONARO - GERAL - DF - BRASÍLIA - 03/09/2025 - BRASÍLIA, JAIR BOLSONARO - O ex-presidente Jair Bolsonaro é visto na garagem de sua residência em Brasília (DF), nesta quarta-feira (3). Bolsonaro responde a processos criminais no Supremo Tribunal Federal, incluindo investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado ligada aos atos de 8 de janeiro quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas. 03/09/2025 - Foto: SCARLETT ROCHA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (20) que o Brasil não perderá espaço no mercado norte-americano com a nova tarifa global de 10% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Suprema Corte limita poderes de Trump

A declaração de Alckmin veio poucas horas depois de a Suprema Corte dos EUA invalidar, por seis votos a três, parte significativa do chamado “tarifaço” imposto anteriormente por Trump. Os ministros da Corte consideraram ilegais as sobretaxas estabelecidas com base em poderes de emergência, entendendo que a definição de tarifas cabe ao Congresso, não ao Executivo.

Com a decisão, caíram as alíquotas adicionais de até 40% sobre produtos brasileiros, que se somavam a uma taxa global de 10%, chegando a 50% em alguns casos. Alckmin classificou o resultado como “muito importante” e disse que a medida “abriu uma avenida para um comércio mais pujante”.

Publicidade

Novo imposto não muda competitividade brasileira

Embora Trump tenha reagido ao revés judicial prometendo buscar novos instrumentos legais e anunciando outra tarifa global de 10%, Alckmin avaliou que o impacto será neutro para o Brasil, pois a cobrança será aplicada a todos os exportadores. “Os 10% são globais. Não perdemos competitividade”, garantiu.

O vice-presidente relembrou que, no auge das sobretaxas, 37% das exportações brasileiras para os EUA estavam sujeitas às barreiras; esse percentual caiu para 22% no fim do ano passado graças a negociações diplomáticas.

Setores que podem ganhar espaço

Segundo o ministro, segmentos como máquinas, motores, madeira, pedras ornamentais, café solúvel e frutas tendem a se beneficiar da remoção das sobretaxas. Ele mencionou, contudo, que produtos estratégicos como aço e alumínio, enquadrados na Seção 232 da legislação de segurança nacional dos EUA, ainda podem enfrentar disputas jurídicas.

Alckmin também destacou que o Brasil não figura entre os países que geram déficit comercial aos Estados Unidos e defendeu a continuidade do diálogo bilateral. “A negociação continua”, resumiu.

Efeitos sobre as exportações e o câmbio

Especialistas ouvidos pelo governo avaliam que a derrubada das tarifas tende a impulsionar as vendas externas brasileiras e, nos Estados Unidos, pode aliviar pressões inflacionárias ao baratear produtos importados. Em 2025, as exportações do Brasil para o mercado norte-americano somaram US$ 37,7 bilhões, o equivalente a 10,8% de tudo o que o país vendeu ao exterior.

Com menos barreiras, analistas veem possibilidade de maior fluxo de investimentos e oscilações no dólar que podem repercutir sobre a economia brasileira.

Próximos passos de Washington

Apesar da decisão da Suprema Corte, Trump sinalizou que estuda abrir novas investigações comerciais e adotar tarifas por outros dispositivos legais, mantendo a proteção à indústria norte-americana no centro de sua estratégia econômica.

Com informações de Jovem Pan

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Entre no Grupo de Notícias