AGU mudou posição para proteger Moraes de processo nos EUA, diz Rumble

Rafael Ramos
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Rumble e Trump Media denunciaram à Justiça da Flórida que a AGU alterou seu entendimento jurídico para blindar Alexandre de Moraes. Em 2025, o próprio governo brasileiro afirmara que decisões do STF não valem fora do país.

Rumble Inc. e Trump Media & Technology Group afirmaram à Justiça da Flórida, nesta terça-feira (14/07/2026), que a Advocacia-Geral da União (AGU) mudou de entendimento sobre o alcance de decisões judiciais brasileiras para tentar encerrar o processo movido contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos Estados Unidos.

Em memorial de 24 páginas, as companhias recordaram que, em junho de 2025, o Ministério da Justiça informara ao Departamento de Justiça norte-americano que determinações originadas em tribunais brasileiros só produzem efeitos dentro do território nacional e precisam ser encaminhadas por canais formais de cooperação, como o tratado de assistência jurídica mútua e a Convenção da Haia.

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Segundo as plataformas, a AGU passou a sustentar, no pedido de extinção apresentado em junho, que as ordens assinadas por Moraes configuram atos soberanos protegidos por imunidade, impossibilitando o exame pela Corte da Flórida. Para as empresas, a nova linha contradiz a comunicação oficial enviada pelo governo brasileiro no ano passado.

“Juízes estrangeiros não podem fazer cumprir ordens estrangeiras em solo americano por e-mail e chamar isso de lei”, argumentaram os advogados de Rumble e Trump Media.

O processo não questiona a validade das decisões no Brasil, mas discute se elas podem impor obrigações a companhias e usuários sediados nos EUA sem o emprego dos mecanismos diplomáticos previstos. A contestação se apoia em três eixos principais:

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1) Moraes seria alvo direto da ação: as empresas alegam que o ministro teria ultrapassado os limites funcionais ao despachar ordens que afetam serviços norte-americanos, motivo pelo qual foi processado pessoalmente, sem pedidos de ressarcimento ao Tesouro brasileiro.

2) Determinações não caracterizariam atos soberanos: as ordens, enviadas por e-mail, buscaram bloquear contas, remover conteúdos, obter dados de usuários e interromper repasses financeiros nos Estados Unidos sem recorrer aos instrumentos internacionais de cooperação.

3) Efeitos restritos ao território norte-americano: eventual decisão da Justiça da Flórida não anularia os despachos dentro do Brasil, mas apenas definiria sua eficácia em solo americano.

A manifestação foi protocolada no último dia do prazo fixado pela juíza Mary Scriven, que, em 7 de julho, concedera mais uma semana para a resposta das empresas ao pleito de extinção feito pela AGU. O mérito ainda não foi julgado.

Em 23 de junho, Scriven autorizou a intervenção do governo brasileiro e suspendeu o pedido das plataformas para declarar Moraes revel. A AGU sustenta que o ministro atuou no estrito exercício do cargo e que submeter decisões do STF a cortes estrangeiras violaria a soberania nacional.

Separadamente, em 10 de julho, Rogério Chaves Scotton, interessado em atuar como amicus curiae, reiterou que a entrada do Brasil no feito não afasta a discussão sobre imunidade soberana. O documento dele corrobora parte dos argumentos de Rumble e Trump Media.

A Rumble está suspensa no Brasil desde fevereiro de 2025 por descumprir ordens judiciais, entre elas a de indicar representante legal no país. As plataformas pedem que a juíza rejeite a solicitação da AGU e permita o prosseguimento da ação contra Moraes.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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