Amanda enganou famílias desde 2021 ao se passar por menina de 12 anos, obtendo abrigo e dinheiro. O caso mais recente durou 14 meses em Santa Catarina.
A Polícia Civil do Paraná indiciou por estelionato, na última sexta-feira (10), Amanda Maira Souza de Oliveira, investigada por se passar por uma adolescente de 12 anos para obter vantagens financeiras e abrigar-se na casa de terceiros. O inquérito, remetido ao Poder Judiciário paranaense, reúne depoimentos, laudos e relatos de vítimas que alegam ter sido enganadas desde 2021.
Segundo os investigadores, o caso mais recente ocorreu em Joinville (SC), onde Amanda utilizou o nome falso “Gabriele” e viveu por cerca de 14 meses no distrito de Pirabeiraba. Nesse período, ela afirmou ser portadora de autismo e outras condições clínicas, estratégia que, de acordo com a polícia, buscava gerar empatia e justificar a necessidade de cuidados especiais.
“A suspeita mantinha comportamentos infantilizados, utilizando rotineiramente chupetas, mamadeiras e objetos lúdicos”, descreveu a corporação ao detalhar a forma como a investigada reforçava a farsa.
A investigação apurou que, ainda em 2021, a mulher teria convencido integrantes de um grupo de oração em Colombo (PR) de que enfrentava um câncer terminal. Na ocasião, fiéis organizaram doações em dinheiro e mantimentos. O suposto diagnóstico, porém, jamais foi comprovado.
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Em junho deste ano, a Polícia Civil de Santa Catarina prendeu Amanda em flagrante dentro da residência da família catarinense que a acolhia. A prisão ocorreu após denúncias de vizinhos e verificação de inconsistências nos documentos apresentados. Durante o interrogatório, ela confessou a autoria dos fatos, mas, agora, nega os crimes perante a polícia paranaense.
O histórico criminal aponta reincidência. Conforme os autos, Amanda já foi investigada por golpes semelhantes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Nessas ocasiões, o modus operandi incluía a declaração de diferentes doenças e a adoção de identidades falsas para sensibilizar potenciais doadores.
Após a lavratura do indiciamento, a suspeita foi transferida ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça. A tipificação do delito prevê pena de um a cinco anos de reclusão, além de multa. O Ministério Público analisará o inquérito e poderá oferecer denúncia formal nas próximas semanas.
Até o momento, não há informação oficial sobre eventual pedido de liberdade provisória ou fiança. A defesa de Amanda não se pronunciou publicamente. A Polícia Civil mantém o canal de denúncias aberto para identificar outras possíveis vítimas e mapear eventuais prejuízos financeiros decorrentes do esquema.
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