79% dos americanos temem guerra longa contra o Irã, aponta pesquisa

Robson Alves
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Pessimismo cresce nos EUA: nova sondagem Reuters/Ipsos revela que quase 8 em cada 10 americanos esperam conflito prolongado com o Irã. O índice subiu 14 pontos em apenas meses.

Uma sondagem da Reuters/Ipsos apontou que 79% dos norte-americanos acreditaram que o engajamento militar dos Estados Unidos na guerra contra o Irã se estenderia por um longo período. O índice saltou 14 pontos em relação aos 65% registrados no final de março, sinalizando maior pessimismo da opinião pública em meio à escalada dos combates.

O levantamento foi conduzido por três dias, até 12 de julho, e ouviu 1.019 adultos. A margem de erro é de quatro pontos percentuais. Apenas 18% dos participantes disseram esperar que o conflito termine rapidamente, enquanto 3% não opinaram.

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A pesquisa também aferiu avaliação sobre os custos econômicos da operação. Metade dos entrevistados declarou que os gastos do confronto não compensaram, e 60% anteciparam aumento no preço da gasolina durante o próximo ano. O apoio específico às ações militares permaneceu minoritário: 37% aprovaram os ataques conduzidos por Washington contra alvos iranianos.

“Os Estados Unidos precisam atuar como guardiões do estreito de Ormuz”, afirmou o presidente Donald Trump na segunda-feira, 13 de julho, ao anunciar a retomada do bloqueio a embarcações iranianas e a imposição de taxa de 20% sobre cargas protegidas pela marinha norte-americana.

As respostas foram coletadas em meio à retomada das hostilidades entre os dois países. O acordo provisório de 17 de junho, que previa cessar-fogo de 60 dias, perdeu força quando Trump declarou encerrada a trégua em 8 de julho. No sábado, 11 de julho, Teerã voltou a limitar a navegação no estreito de Ormuz, rota por onde trafega cerca de um quinto do petróleo mundial.

Em reação, forças dos EUA lançaram nova onda de bombardeios contra dezenas de alvos iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea, radares, estruturas de mísseis, drones e embarcações de pequeno porte. Pela primeira vez, a marinha norte-americana empregou drones marítimos em operação de combate, de acordo com o Pentágono. Teerã respondeu com ataques a instalações militares dos EUA no Bahrein, Kuwait e Jordânia.

Com as eleições legislativas de novembro no horizonte, o desgaste econômico e o baixo índice de aprovação presidencial configuram risco político adicional para o Partido Republicano. A avaliação de Trump permanece próxima aos níveis mais baixos desde o início do conflito, segundo a Reuters.

A pesquisa sugere, portanto, que o público norte-americano enxerga a guerra como prolongada, dispendiosa e de impacto direto sobre o custo de vida, fatores que deverão pesar no debate político interno ao longo dos próximos meses.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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