10% dos adultos têm doença renal sem saber; veja como se proteger

Cláudio Vasconcelos
4 Min Leitura

Silenciosa e progressiva, a doença renal crônica avança sem sintomas visíveis. Diabetes e hipertensão lideram os riscos. Entenda como identificar e prevenir.

A doença renal crônica (DRC) evolui de maneira lenta e, na maior parte dos casos, não apresenta sintomas físicos perceptíveis nas fases iniciais. Estimativas atuais indicam que aproximadamente 10% da população adulta convive com algum grau de comprometimento nos rins sem ter recebido diagnóstico formal. Esse caráter silencioso da enfermidade faz com que o problema só seja percebido quando parte relevante da função renal já foi perdida, reduzindo as alternativas terapêuticas disponíveis.

Entre os fatores de risco hoje mais bem estabelecidos, diabetes e hipertensão arterial continuam liderando. A glicose elevada lesa os pequenos vasos sanguíneos localizados nos glomérulos – microscópicos filtros renais – enquanto a pressão alta diminui a eficiência de filtração do órgão. A combinação dos dois quadros potencializa a velocidade de perda funcional, motivo pelo qual a monitoração deve ser reforçada em pacientes diabéticos hipertensos.

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Nos últimos anos, a obesidade passou a figurar como o terceiro grande fator de risco independente. O excesso de peso não apenas favorece o surgimento de diabetes e hipertensão, mas eleva de forma direta a carga de trabalho dos rins. Adicionalmente, processos inflamatórios decorrentes do acúmulo de tecido adiposo aceleram a perda progressiva da capacidade de filtração.

Como os sinais clínicos quase não aparecem de início, a confirmação de dano renal depende de exames laboratoriais periódicos. Três marcadores se destacam: a presença de albumina na urina, o aumento da creatinina sérica e a redução da taxa de filtração glomerular (TFG). A albuminúria é um dos primeiros indícios de que a barreira de filtragem está comprometida; a creatinina elevada sugere acúmulo de substâncias tóxicas; e a queda da TFG quantifica, em números, o avanço da doença.

Especialistas recomendam que pessoas pertencentes a grupos de risco realizem avaliação renal pelo menos uma vez por ano. Quando a DRC é detectada precocemente, medicamentos específicos — como inibidores do sistema renina-angiotensina e, em casos selecionados, fármacos da classe dos agonistas de GLP-1 — podem retardar a progressão, reduzindo a necessidade futura de diálise ou transplante.

Além do tratamento medicamentoso, mudanças no estilo de vida continuam sendo a estratégia mais eficaz para preservar a função dos rins a longo prazo. Controlar a glicemia, manter o peso adequado, praticar atividade física regular, adotar alimentação balanceada com menor teor de sódio e ingerir volume hídrico compatível com as necessidades individuais formam o conjunto de medidas preventivas prioritárias.

No Brasil, estimativas da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que cerca de 20 milhões de pessoas apresentam algum grau de perda funcional renal. A manutenção de programas de rastreamento em atenção primária, aliada a campanhas de conscientização, é considerada fundamental para reduzir esse contingente e evitar que o diagnóstico ocorra somente em estágios avançados, quando as opções de intervenção se tornam mais limitadas.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.
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